Modelagem de Dados e SQL
04. Integridade referencial e restrições
4º capítulo da apostila Modelagem de Dados e SQL: explicação contínua e em linguagem simples sobre Integridade referencial e restrições, com exemplos, conexões e mapa mental.
Neste capítulo · 12 seções⌄
- O fio condutor
- Os quatro tipos de integridade
- As restrições declarativas
- Chave estrangeira: o que ela exige
- Ações referenciais
- Quando a verificação acontece
- Quando o declarativo não basta
- Acompanhando um caso do início ao fim
- Como os conceitos se encaixam
- Roteiro para estudar e resolver problemas
- Resumo para revisão
- Fontes e base de cobertura
Armazenar dados não basta: o banco deve impedir estados que contradigam o domínio. Uma venda sem cliente, uma quantidade negativa ou duas pessoas com o mesmo identificador revelam falhas diferentes e pedem controles diferentes.
O percurso começa pela representação do mundo real. Primeiro entendemos a arquitetura e os níveis de modelagem; depois construímos o modelo relacional, protegemos sua integridade e aprendemos SQL. Ao final, levamos essa base para o ambiente analítico dimensional. Este é o capítulo 4 de 12 da disciplina Modelagem de Dados e SQL. A leitura retoma Abordagem relacional e usa essa base para avançar. Depois, seguiremos para Normalização de dados.
O fio condutor
Banco de dados deve ser estudado como um sistema de decisões conectadas. O significado atribuído ao dado orienta o modelo; o modelo condiciona consultas e atualizações; o SGBD executa essas operações sob regras de segurança, concorrência, desempenho e recuperação. Quando uma dessas camadas muda, as demais podem ser afetadas.
Ao longo da leitura, acompanhe sempre quatro perguntas: qual problema está sendo resolvido, qual estrutura representa o problema, que garantia precisa ser preservada e qual custo acompanha a escolha. Esse roteiro ajuda a compreender os conceitos em vez de apenas memorizar nomes.
Os quatro tipos de integridade
Começamos por Os quatro tipos de integridade, pois essa base permite compreender as decisões apresentadas nas seções seguintes.
| Tipo | Regra | Como se implementa |
|---|---|---|
| Entidade | A chave primária identifica cada tupla e nenhum de seus atributos é nulo | PRIMARY KEY |
| Referencial | Todo valor não nulo de FK existe na coluna referenciada | FOREIGN KEY |
| Domínio | O atributo só recebe valores do seu domínio (tipo, formato, faixa, lista) | Tipo de dado, NOT NULL, CHECK, CREATE DOMAIN |
| Semântica (definida pelo usuário) | Regras próprias do negócio, em geral cruzando linhas ou tabelas | Trigger, stored procedure, ASSERTION (rara), aplicação |
O critério prático para classificar: regra confinada à própria linha ou a uma referência simples é declarativa; regra que precisa contar linhas, somar valores ou comparar linhas distintas é semântica. "Nota entre 0 e 10" é domínio; "um aluno não pode se matricular em mais de 8 disciplinas por semestre" e "nenhum funcionário ganha mais que seu gerente" são semânticas.
Repare como Entidade e referencial, Domínio, Semântica participam da mesma decisão. Ao relacionar esses elementos, fica mais fácil prever o comportamento do banco e reconhecer os efeitos de cada escolha.
As restrições declarativas
A seção anterior apresentou Os quatro tipos de integridade. Agora chegamos a As restrições declarativas, que acrescenta a próxima peça do mesmo raciocínio.
- PRIMARY KEY — unicidade e proibição de nulos, uma por tabela, podendo ser composta. É o alvo preferencial das FKs.
- UNIQUE — impede duplicidade, mas admite nulos (no padrão, vários; o SQL Server, por exceção, admite um só em índice único). Sem limite de quantidade por tabela.
- NOT NULL — impede apenas a ausência de valor. Não impede repetição, e zero e cadeia vazia continuam válidos (o Oracle trata cadeia vazia como nulo, desvio do padrão).
- CHECK — restringe valores da linha corrente. Nos principais SGBDs não consulta outras tabelas; para isso existem triggers, procedures ou a
ASSERTIONdo padrão, raramente implementada. - DEFAULT — não é restrição: apenas fornece valor quando o comando não informa nenhum. Qualquer valor válido continua aceito.
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Fontes consultadas
- Elmasri & Navathe, Sistemas de Banco de Dados — caps. 3, 5 e 26
- Silberschatz, Korth & Sudarshan, Sistema de Banco de Dados — cap. 4
- C. J. Date, Introdução a Sistemas de Bancos de Dados
- Documentação oficial do PostgreSQL (CREATE TABLE, constraints, SET CONSTRAINTS), Oracle e SQL Server
- Padrão SQL — ISO/IEC 9075
- Acervo comentado de Banco de Dados — Integridade referencial e restrições (60 questões publicadas), conferido em 14/09/2026