Domain-Driven Design (DDD)
06. Entidades
6º capítulo da apostila Domain-Driven Design (DDD): estudo contínuo e em linguagem simples sobre Entidades, com conceitos conectados, aplicações e mapa mental.
Neste capítulo · 10 seções⌄
- O fio condutor
- Parte 1 — Fundamentos e vocabulário
- Parte 2 — Estruturas e mecanismos
- Parte 3 — Fluxos e decisões
- Parte 4 — Implementação e integração
- Parte 5 — Qualidade, falhas e operação
- Ligando as partes em uma análise completa
- Como estudar e aplicar o capítulo
- Síntese e passagem para o próximo capítulo
- Base de cobertura
Este capítulo nasce das 30 questões publicadas sobre Entidades. A leitura do acervo revelou 30 núcleos de conhecimento, aqui reorganizados como uma explicação progressiva: primeiro o vocabulário e o modelo mental, depois os mecanismos, as decisões de implementação, os limites e a forma de verificar o comportamento do sistema.
Depois de entender o fluxo de desenvolvimento, aprofundamos a modelagem do negócio. O DDD organiza conhecimento, linguagem, limites e regras para que o software represente o domínio com clareza. Este é o capítulo 6 de 20 da disciplina Domain-Driven Design (DDD). Ele retoma EventStorming e modelagem colaborativa e utiliza essa base para avançar. Na sequência, estudaremos Objetos de valor.
O fio condutor
O desenvolvimento de software começa com um problema e avança por decisões que precisam permanecer compreensíveis e verificáveis. Requisitos orientam modelos; modelos orientam código e arquitetura; testes verificam comportamento; e a operação devolve informações para o próximo ciclo. Uma falha importante no início tende a se espalhar pelas etapas seguintes.
Neste capítulo, use Entidades para acompanhar quatro perguntas: qual problema precisa ser resolvido, como o mecanismo funciona, que consequências a escolha produz e como o resultado será verificado. Essa sequência transforma termos técnicos em decisões que podem ser explicadas e testadas.
Parte 1 — Fundamentos e vocabulário
Começamos por Parte 1 — Fundamentos e vocabulário, pois essa base organiza os conceitos e exemplos que aparecerão no restante do capítulo.
Entidade
O ponto de partida é estabelecer o significado do conceito e o problema que ele procura organizar. Evans define entidade como um objeto caracterizado por um fio de continuidade e identidade, e não pelos valores que carrega em um dado instante. Um Cliente pode trocar de nome, endereço, e-mail e telefone e continua sendo o mesmo cliente — o histórico de compras, as dívidas e os direitos permanecem ligados a ele. É o contraste direto com o objeto de valor, que é definido pelos atributos e substituído inteiro quando algo muda. Na prática, essa identidade estável é o que permite rastrear o objeto entre transações, sessões e até sistemas diferentes. A regra ganha sentido quando suas consequências orientam a implementação.
Para aplicar Entidade, acompanhe a execução desde a entrada até a saída e anote pré-condições, mudança de estado, custo e falhas possíveis. Assim o conceito deixa de ser um rótulo e passa a orientar decisões.
Use como teste da compreensão: No Domain-Driven Design, uma entidade é um objeto do domínio definido primariamente por sua identidade, a qual se mantém estável ao longo do tempo ainda que todos os seus atributos descritivos sejam alterados. Depois verifique a afirmação com execução controlada, teste automatizado, análise do contrato, medição ou documentação da versão correspondente. A evidência deve reproduzir a propriedade afirmada, inclusive nos casos de erro e de fronteira.
Item aplica às entidades o critério de igualdade dos objetos de valor: igualdade
A partir dessa distinção, o próximo elemento completa o fluxo. O item aplica às entidades o critério de igualdade dos objetos de valor: igualdade estrutural, atributo a atributo. Entidades se comparam pela identidade — dois cadastros homônimos, com a mesma data de nascimento e até o mesmo endereço, continuam sendo duas pessoas distintas se seus identificadores diferem. É por isso que, em implementações típicas, equals e hashCode de uma entidade consideram apenas o ID, nunca os campos descritivos. Confundir os dois critérios gera defeitos práticos sérios, como 'deduplicar' clientes diferentes por mera coincidência de dados. Observe como definição, mecanismo e efeito permanecem ligados.
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Fontes consultadas
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5; Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), caps. 5 e 6.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5; Fowler, "Patterns of Enterprise Application Architecture" (2002), padrão Identity Map.
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5, seção sobre geração de identidade.
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5.
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5, discussão sobre identidade gerada pelo mecanismo de persistência.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), caps. 5 e 6.
- Fowler, artigo "AnemicDomainModel" (2003, martinfowler.com); Evans, "Domain-Driven Design" (2003), caps. 4 e 5.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), caps. 5 e 10 (intention-revealing interfaces).
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 6; Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 10.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5; Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), caps. 5 e 6; Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), caps. 6 e 10.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 6, seção "Reconstituting Stored Objects".
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5 — "an object defined primarily by its identity is called an ENTITY".
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 5, que usa justamente a continuidade através de mudanças de forma e estado como critério de entidade.
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5, e a discussão clássica de equals/hashCode em "Effective Java" (Bloch).
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5, seção sobre geração de identidade de entidades.
- Vernon, "Implementing Domain-Driven Design" (2013), cap. 5, sobre identidade natural versus substituta e a estabilidade do identificador.
- Evans, "Domain-Driven Design" (2003), cap. 6 — "The Life Cycle of a Domain Object", que introduz agregados, fábricas e repositórios exatamente como padrões de gestão desse ciclo.
- Fowler, "AnemicDomainModel" (martinfowler.com, 2003); Evans, "Domain-Driven Design" (2003).